
Existe uma máxima do desenvolvimento infantil: o bebê precisa de alguém que o olhe. Normalmente a mãe ou a figura materna. Sem isso, entristece.
Como residente de pediatria em um grande hospital público em São Paulo já tinha visto isso acontecer, sem esse olhar, esse amor incondicional, não existimos. O bebê adoece e definha na nossa frente.
Me faz pensar que o corpo pensa assim: Qual o propósito? Qual o porquê de existir se esse outro não me olha. Logo esse outro que me deu a vida.
Mas quando esse olhar vem, tudo faz sentido. As células parecem que se unem para fazer acontecer, uma respiração celular profunda como quem diz: Vamos existir.
Poeticamente a origem da mitocôndria – organela responsável pela respiração da célula – é materna. Do óvulo vem a possibilidade de ser, ainda enquanto célula e com cada célula, como um corpo inteiro.
Para ser, eu preciso existir, e para existir o outro precisa me olhar. Mais do que me ver, o outro precisa querer me olhar.