
Dra. Cassiano: Então, a primeira coisa que a gente tem que ter em mente é que o cérebro nasce sem saber enxergar nada, ele vai aprendendo a enxergar conforme os estímulos. Se a imagem não chega correta lá no cérebro, o cérebro não aprende a enxergar direito e isso pode levar a um déficit de visão para o resto da vida. Essa janela de desenvolvimento da visão cerebral acontece até os 7 anos de idade, mas principalmente nos dois primeiros anos de vida. Mesmo que a criança não demonstre nenhuma dificuldade para enxergar e não tenha nenhum sintoma, os pais precisam levar ao oftalmologista, porque às vezes eles estão enxergando de um olho só, então um olho enxerga, e o outro não enxerga.
Às vezes a criança se adapta. Ontem chegou uma criança que tinha 6 graus de hipermetropia, e a criança não apresentava nenhum sintoma. E mesmo depois de dilatada, ela não estava enxergando nada, e continuava brincando como se nada tivesse acontecido. Existem crianças que são muito adaptadas e os pais não percebem, o pediatra não percebe, ninguém percebe.
A recomendação da Sociedade Brasileira de Oftalmopediatria é que a primeira consulta seja entre 6 meses e 1 ano de idade e depois essas consultas têm que ser feitas periodicamente. O ideal é que seja uma vez por ano, mas pelo menos entre 6 meses e 1 ano de idade, depois com 3 anos, 5 anos e 7 anos é o mínimo. Se a criança apresentar qualquer dificuldade, ou atraso de desenvolvimento, a primeira coisa que a gente precisa saber é se a criança está enxergando bem e se ela está escutando bem, porque não adianta você começar a fazer um monte de terapia se as entradas não estão funcionando direito. Então isso é uma coisa que a gente precisa avaliar. E sintomas como estrabismo, ou qualquer tipo de estrabismo é importante uma avaliação. Se tiver pupila branca, o retinoblastoma, catarata congênita, glaucoma, tudo isso mostram sinais né? Então se existe alguma coisa diferente, precisa levar no oftalmologista, mas muitas vezes não há nenhum sinal e mesmo assim é importante levar periodicamente.